O Google apresentou nesta segunda-feira, 9 de março, uma estratégia abrangente para impulsionar o ecossistema de inteligência artificial no Brasil, com foco na aceleração de startups que possuem a IA como fundamento central de seus negócios. O anúncio foi feito durante evento do Google Campus em São Paulo e inclui novos programas direcionados às chamadas startups AI-First — empresas que desenvolvem soluções com inteligência artificial integrada desde a concepção.
Maurício Martiniano, head do Google Campus, identificou três fatores que colocam o Brasil em posição privilegiada no cenário global de IA. O primeiro é o comportamento do consumidor brasileiro: "O brasileiro costuma ser um early adopter de tecnologia, o que coloca o país em uma posição diferenciada", explicou Martiniano, destacando que o Brasil frequentemente aparece entre os cinco maiores adotantes de novas tecnologias no mundo, especialmente em inteligência artificial.
O segundo fator é o crescimento acelerado do ecossistema. Nos últimos dez anos, o número de startups focadas em inteligência artificial no país triplicou, abrangendo setores que vão desde saúde e agronegócio até finanças e logística. As plataformas nativas em IA, que permitem criar aplicações inteiras por meio de prompts em linguagem natural, estão sendo rapidamente adotadas por empresas de todos os portes no mercado brasileiro.
O terceiro elemento é a perspectiva de investimento. "Observamos uma propensão relevante de investimentos no mercado brasileiro, com destaque especial para iniciativas relacionadas à inteligência artificial", afirmou Martiniano. O dado é corroborado pelos números do venture capital: o mercado brasileiro encerrou 2025 com mais de US$ 2 bilhões investidos em startups, com fintechs e empresas de IA liderando as rodadas de captação.
Os novos programas do Google serão lançados após a reabertura do Google Campus, prevista para as próximas semanas em um espaço anexo ao futuro Centro de Engenharia do Google em São Paulo. A retomada contará com nova liderança e uma estratégia completamente reformulada, focada exclusivamente em startups de inteligência artificial. O objetivo é fortalecer as conexões entre startups em estágio inicial, investidores de venture capital e grandes empresas que buscam incorporar soluções de IA em suas operações.
A iniciativa se soma a um cenário mais amplo de investimentos de big techs no Brasil. O Google mantém centros de engenharia no país onde profissionais brasileiros desenvolvem produtos com alcance global, conquistando reconhecimento internacional pela qualidade de sua formação técnica. A Amazon Web Services também expandiu sua presença, com cerca de 9 milhões de empresas brasileiras já utilizando inteligência artificial de forma sistemática — crescimento de 29% em um único ano.
A estratégia do Google reflete uma tendência global de descentralização dos polos de inovação em IA, com países como o Brasil emergindo como centros alternativos ao eixo tradicional Silicon Valley-China. A combinação de talento técnico, mercado consumidor de mais de 200 milhões de pessoas e infraestrutura digital avançada — exemplificada pelo Pix e pelo Open Finance — posiciona o Brasil como um laboratório natural para soluções de inteligência artificial aplicada ao mundo real.