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Ibovespa despenca 3% e dólar salta para R$ 5,26 em dia de pânico nos mercados globais

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PicPay mira avaliação de US$ 2,46 bilhões em IPO na Nasdaq e marca retorno do Brasil ao mercado de ações americano

A fintech brasileira PicPay está se preparando para abrir capital na bolsa Nasdaq dos Estados Unidos, buscando uma avaliação de US$ 2,46 bilhões e planejando levantar aproximadamente US$ 434 milhões na operação. A empresa pretende ofertar cerca de 22,9 milhões de ações com preço entre US$ 16 e US$ 19 cada, no que representará o primeiro grande IPO de uma empresa de tecnologia brasileira em aproximadamente quatro anos, desde a listagem histórica do Nubank em 2021. Fundada em 2012, a PicPay evoluiu de uma plataforma de pagamentos peer-to-peer para um serviço completo de banco digital. A plataforma oferece atualmente cartões de crédito, produtos de seguros e funcionalidade de compre agora e pague depois, atendendo a 42 milhões de usuários ativos conforme dados de setembro de 2024 — o que a posiciona como uma das maiores plataformas de finanças digitais do Brasil, atrás apenas do Nubank em número de clientes. A PicPay é controlada pela J&F Investimentos, holding dos bilionários Wesley e Joesley Batista, que construíram a gigante do setor de proteínas JBS como uma corporação global. A Bicycle Capital, firma de growth equity focada em América Latina, ancora a oferta com um investimento planejado de US$ 75 milhões. O Citigroup, o Bank of America Securities e o RBC Capital Markets lideram a operação como coordenadores globais conjuntos, com as ações previstas para serem negociadas sob o ticker "PICS" na Nasdaq. A operação sinaliza o retorno do interesse dos investidores internacionais pelo ecossistema fintech da América Latina, após um período de retração que se seguiu ao boom de IPOs de 2021. Simultaneamente à PicPay, o banco digital brasileiro Agibank também protocolou pedido de listagem em Nova York, indicando que o mercado americano voltou a ser atrativo para empresas financeiras brasileiras. O ecossistema fintech do Brasil conta atualmente com mais de 900 startups operando em quase 40 segmentos diferentes. Bancos digitais como o Inter, com mais de 30 milhões de clientes, o C6 Bank, que tem o JPMorgan como acionista com 46% de participação, e o Neon, focado em segmentos de menor renda, completam o panorama de um setor que movimenta bilhões de reais anualmente e que tem no Pix — com R$ 35,36 trilhões em transações em 2025 — sua principal infraestrutura de pagamentos. Analistas do mercado financeiro avaliam que o IPO da PicPay funcionará como um termômetro para o apetite dos investidores americanos por ativos de tecnologia brasileiros. Se bem-sucedida, a operação pode abrir caminho para outras fintechs e startups de tecnologia do país acessarem o mercado de capitais dos Estados Unidos nos próximos meses.

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Banco Central reduz Selic para 14,75% e inicia ciclo de corte de juros em 2026

O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central do Brasil decidiu reduzir a taxa básica de juros Selic de 15% para 14,75% ao ano em sua segunda reunião de 2026, marcando o primeiro corte após um longo período de manutenção dos juros nos patamares mais elevados desde 2006. A decisão, anunciada na quarta-feira, sinaliza o início de um ciclo de flexibilização monetária aguardado com ansiedade pelo mercado financeiro e pelo setor produtivo. A redução de 0,25 ponto percentual foi justificada pelo comitê com base na moderação da atividade econômica doméstica e na resiliência do mercado de trabalho. O comunicado do Copom reconheceu que, embora tanto a inflação cheia quanto os núcleos inflacionários permaneçam acima da meta estabelecida, houve um amolecimento recente nos indicadores que abre espaço para o início gradual do afrouxamento monetário. A inflação medida pelo IPCA desacelerou para 3,81% em termos anuais em fevereiro de 2026, mas as expectativas dos analistas consultados pela pesquisa Focus permanecem elevadas, apontando para 4,1% ao final de 2026 e 3,8% para 2027 — ambas acima do centro da meta de 3,25% definida pelo Conselho Monetário Nacional. O ciclo de alta que levou a Selic ao patamar de 15% teve início em setembro de 2024, quando a taxa estava em 10,5%. O aperto monetário foi implementado de forma agressiva ao longo de nove meses, com o objetivo de combater pressões inflacionárias decorrentes da valorização do dólar, do aumento nos preços dos alimentos e das expectativas desancoradas do mercado. A taxa permaneceu inalterada em 15% desde junho de 2025 até esta reunião. Sérgio Goldenstein, ex-membro do Copom e atual analista do mercado financeiro, classificou a redução como potencialmente o início de um ciclo de cortes mais amplo para 2026, porém alertou que as crescentes tensões geopolíticas globais — incluindo o conflito no Oriente Médio e as disputas comerciais entre grandes potências — criam um ambiente de imprevisibilidade que pode limitar a velocidade e a magnitude dos próximos cortes. O mercado financeiro reagiu de forma positiva à decisão. O Ibovespa registrou alta no pregão seguinte, enquanto os contratos de juros futuros recuaram, precificando expectativas de que a Selic possa encerrar 2026 entre 12% e 12,25% ao ano. Economistas do setor bancário projetam entre três e quatro cortes adicionais até o final do ano, dependendo da trajetória da inflação e do cenário externo. Para empresas e consumidores, o início do ciclo de cortes representa um alívio gradual no custo do crédito, que atingiu patamares recordes durante o período de juros a 15%. O spread bancário médio para pessoa física supera os 30 pontos percentuais, tornando o crédito ao consumo um dos mais caros do mundo. A expectativa é que a redução da Selic comece a se refletir nas taxas finais ao consumidor a partir do segundo trimestre.