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Economy

Banco Central reduz Selic para 14,75% e inicia ciclo de corte de juros em 2026

Source: Banco Central do Brasil22 de março de 2026

O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central do Brasil decidiu reduzir a taxa básica de juros Selic de 15% para 14,75% ao ano em sua segunda reunião de 2026, marcando o primeiro corte após um longo período de manutenção dos juros nos patamares mais elevados desde 2006. A decisão, anunciada na quarta-feira, sinaliza o início de um ciclo de flexibilização monetária aguardado com ansiedade pelo mercado financeiro e pelo setor produtivo.

A redução de 0,25 ponto percentual foi justificada pelo comitê com base na moderação da atividade econômica doméstica e na resiliência do mercado de trabalho. O comunicado do Copom reconheceu que, embora tanto a inflação cheia quanto os núcleos inflacionários permaneçam acima da meta estabelecida, houve um amolecimento recente nos indicadores que abre espaço para o início gradual do afrouxamento monetário.

A inflação medida pelo IPCA desacelerou para 3,81% em termos anuais em fevereiro de 2026, mas as expectativas dos analistas consultados pela pesquisa Focus permanecem elevadas, apontando para 4,1% ao final de 2026 e 3,8% para 2027 — ambas acima do centro da meta de 3,25% definida pelo Conselho Monetário Nacional.

O ciclo de alta que levou a Selic ao patamar de 15% teve início em setembro de 2024, quando a taxa estava em 10,5%. O aperto monetário foi implementado de forma agressiva ao longo de nove meses, com o objetivo de combater pressões inflacionárias decorrentes da valorização do dólar, do aumento nos preços dos alimentos e das expectativas desancoradas do mercado. A taxa permaneceu inalterada em 15% desde junho de 2025 até esta reunião.

Sérgio Goldenstein, ex-membro do Copom e atual analista do mercado financeiro, classificou a redução como potencialmente o início de um ciclo de cortes mais amplo para 2026, porém alertou que as crescentes tensões geopolíticas globais — incluindo o conflito no Oriente Médio e as disputas comerciais entre grandes potências — criam um ambiente de imprevisibilidade que pode limitar a velocidade e a magnitude dos próximos cortes.

O mercado financeiro reagiu de forma positiva à decisão. O Ibovespa registrou alta no pregão seguinte, enquanto os contratos de juros futuros recuaram, precificando expectativas de que a Selic possa encerrar 2026 entre 12% e 12,25% ao ano. Economistas do setor bancário projetam entre três e quatro cortes adicionais até o final do ano, dependendo da trajetória da inflação e do cenário externo.

Para empresas e consumidores, o início do ciclo de cortes representa um alívio gradual no custo do crédito, que atingiu patamares recordes durante o período de juros a 15%. O spread bancário médio para pessoa física supera os 30 pontos percentuais, tornando o crédito ao consumo um dos mais caros do mundo. A expectativa é que a redução da Selic comece a se refletir nas taxas finais ao consumidor a partir do segundo trimestre.

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