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TechEconomy

PicPay mira avaliação de US$ 2,46 bilhões em IPO na Nasdaq e marca retorno do Brasil ao mercado de ações americano

Source: TechStartups22 de março de 2026

A fintech brasileira PicPay está se preparando para abrir capital na bolsa Nasdaq dos Estados Unidos, buscando uma avaliação de US$ 2,46 bilhões e planejando levantar aproximadamente US$ 434 milhões na operação. A empresa pretende ofertar cerca de 22,9 milhões de ações com preço entre US$ 16 e US$ 19 cada, no que representará o primeiro grande IPO de uma empresa de tecnologia brasileira em aproximadamente quatro anos, desde a listagem histórica do Nubank em 2021.

Fundada em 2012, a PicPay evoluiu de uma plataforma de pagamentos peer-to-peer para um serviço completo de banco digital. A plataforma oferece atualmente cartões de crédito, produtos de seguros e funcionalidade de compre agora e pague depois, atendendo a 42 milhões de usuários ativos conforme dados de setembro de 2024 — o que a posiciona como uma das maiores plataformas de finanças digitais do Brasil, atrás apenas do Nubank em número de clientes.

A PicPay é controlada pela J&F Investimentos, holding dos bilionários Wesley e Joesley Batista, que construíram a gigante do setor de proteínas JBS como uma corporação global. A Bicycle Capital, firma de growth equity focada em América Latina, ancora a oferta com um investimento planejado de US$ 75 milhões. O Citigroup, o Bank of America Securities e o RBC Capital Markets lideram a operação como coordenadores globais conjuntos, com as ações previstas para serem negociadas sob o ticker "PICS" na Nasdaq.

A operação sinaliza o retorno do interesse dos investidores internacionais pelo ecossistema fintech da América Latina, após um período de retração que se seguiu ao boom de IPOs de 2021. Simultaneamente à PicPay, o banco digital brasileiro Agibank também protocolou pedido de listagem em Nova York, indicando que o mercado americano voltou a ser atrativo para empresas financeiras brasileiras.

O ecossistema fintech do Brasil conta atualmente com mais de 900 startups operando em quase 40 segmentos diferentes. Bancos digitais como o Inter, com mais de 30 milhões de clientes, o C6 Bank, que tem o JPMorgan como acionista com 46% de participação, e o Neon, focado em segmentos de menor renda, completam o panorama de um setor que movimenta bilhões de reais anualmente e que tem no Pix — com R$ 35,36 trilhões em transações em 2025 — sua principal infraestrutura de pagamentos.

Analistas do mercado financeiro avaliam que o IPO da PicPay funcionará como um termômetro para o apetite dos investidores americanos por ativos de tecnologia brasileiros. Se bem-sucedida, a operação pode abrir caminho para outras fintechs e startups de tecnologia do país acessarem o mercado de capitais dos Estados Unidos nos próximos meses.

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